lixo-eletronicoOs equipamentos eletrônicos invadiram até mesmo as mais corriqueiras atividades do nosso cotidiano. Celulares, tablets, câmeras e computadores de todos os tipos são, definitivamente, parte integrante da sociedade. Além do crescimento rápido da demanda, esses equipamentos também apresentam uma vida útil curta. Não somente pelos defeitos, mas também pela defasagem provocada pelo avanço das novas tecnologias. Em pouco tempo, aquele smartphone de última geração torna-se ultrapassado, fazendo com que os usuários comprem novos equipamentos, em vez de pagar pelo conserto dos antigos.

O perigo se revela quando pensamos no descarte desse material, ou seja, o lixo gerado quando esses equipamentos não nos são mais úteis. A ONU confirmou, através de um Mapa Global do e-Lixo, que a produção desses resíduos chegou a 49 milhões de toneladas em 2012, o que equivale a 7kg por habitante. E todas as pesquisas apontam para o crescimento frenético desse tipo de material, inclusive no Brasil, como revela estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que estima que o Brasil já estaria gerando cerca de 1 milhão de toneladas anuais de lixo.

Devemos considerar que esses equipamentos são compostos por substâncias químicas, como chumbo e mercúrio, que podem contaminar o solo e a água. Os catadores de materiais recicláveis podem ficar expostos a doenças quando essas substâncias estiverem misturadas ao lixo comum. Pensar em como descartar o nosso lixo eletrônico é essencial para garantirmos recursos saudáveis para nossos filhos e netos.

Felizmente, algumas empresas e organizações já estão colocando em prática algumas ideias que podem reverter os perigos que ameaçam nossa sustentabilidade. No Paraná, uma organização não governamental chamada Cia do Lixo coleta esse material para transformar em arte. Quadros, abajures, materiais de escritório e até mesmo aquários são construídos com a utilização de monitores, cabos, CDs, televisores, entre outros equipamentos estragados, que seriam descartados em lixões. Além de proteger o meio ambiente e estimular a arte, o projeto consegue pagar seus próprios custos com a venda desse material, que agora tem um valor agregado e pode ser útil inclusive para quem o descartou anteriormente.

Em Belo Horizonte, o Colégio Cotemig também faz a coleta desses equipamentos em parceria com a e-mile, fazendo uma campanha de conscientização com os alunos e mobilizando-os a trazerem o lixo eletrônico para ser encaminhado para a reciclagem.

Esse é um desafio no qual devemos estar focados para garantir que nossos recursos naturais não sejam ameaçados por mais um perigo. Promover o pensamento sustentável é necessário para expandir as ações a todos os cantos do nosso país. Se temos capacidade criativa para desenvolver tantos avanços tecnológicos para o nosso dia a dia, por que não utilizar essa mesma criatividade para proteger o meio ambiente dos efeitos colaterais dessa evolução? A conscientização é o primeiro passo.

Escrito originalmente para o jornal Hoje em Dia.